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Paulo Brossard

Em Brasília, o senador novato começou já na posse a construir a legenda de tribuno indomável, em um discurso no qual desafiava o regime. Ele descreveu o episódio em entrevista concedida uma década atrás a ZH:
— Quando tomei posse, fiz um longo discurso analisando tudo o que tinha acontecido desde 1964 e terminei dizendo: "Fui eleito por oito anos, no entanto, meu mandato pode durar oito meses". Parei, olhei para um lado, olhei para outro, para cima, para baixo e continuei: "Ou oito semanas". E repeti o mesmo gesto, como quem diz: alguém objeta, alguém quer um aparte? E continuei: "Ou oito dias, ou oito horas. Mas enquanto estiver aqui, não pedirei licença a ninguém para dizer aquilo que entendo que deva dizer. Entenderam?"
Brossard cumpriu a promessa. Da tribuna, castigava os desmandos do regime, lançando petardos que ganhavam as páginas do jornais. Em 1977, quando o governo fechou o Congresso e criou os senadores biônicos, nomeados pelo Planalto, o gaúcho preparou um discurso feroz tão extenso que precisou ser desmembrado em quatro partes — proferidas uma a cada semana.
— Quando fiz o quarto discurso, o deputado Magalhães Pinto (governista de Minas Gerais), que estava na sessão do Senado, me olhou e disse: "Está contente, não está?". Eu respondi: "Estou". Porque depois poderia vir a cassação, que não faria mal algum. Se tivesse havido alguma coisa até o terceiro discurso, eu sairia aborrecido, inconformado por não ter dito tudo. Depois do último discuro, pensei: agora já disse tudo, podem me cassar.
Fonte: ZH

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