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Viri Probati, sou contra!

Padre Wissam Akiki, sua esposa Manal e suas duas filhas.
Ele é pároco da Igreja Maronita de São José, em Phoenix, AZ, USA.

Sem querer adentrar na seara do Felipe Koller, mas gostaria de comentar sobre a possibilidade aventada nos últimos meses por diversos veículos da instituição dos ‘Viri Probati’. O site Sempre Família tem feito uma bela cobertura sobre o assunto, sempre demonstrando diversas opiniões sobre a temática da ordenação de homens casados, mesmo sendo questão ‘interna corporis’ da Igreja Católica Apóstólica Romana.

Em princípio, queria dizer que eu sou a favor da ordenação de homens casados ao sacerdócio católico, como acontece na Igreja Católica de rito oriental. Acredito ser importante estender a disciplina do rito oriental para o rito latino de forma integral, sem subterfúgios e alterações, por três motivos: 1) por uma questão de coerência bíblica, desde os tempos escriturísticos, uma prova da vocação presbiteral é o fato do homem ser casado e governar bem a sua casa, basta ler Tm. 3; 2) para que a Igreja tenha uma disciplina unificada que contemple os homens que são vocacionados ao matrimônio e ao sacerdócio, sem prejuízo e diminuição do celibato (vale dizer que ninguém está discutindo a extinção desta modalidade, isto é, não está se cogitando permitir que padres já ordenados se casem); 3) para barrar essa proposta relativista e liberal dos ‘viri probati’.

Do que se trata
Trata-se de uma proposta de ordenação de homens casados ao sacerdócio católico pelos motivos errados. Eu que vim de origem protestante já vi este filme acontecer. Alegando-se a necessidade missionária e pastoral de haver padres para rezar os santos mistérios, a queda das vocações sacerdotais atuais, a diminuição do rebanho católico e a peculiaridade de algumas comunidades católicas, a cúria pretensamente abriria uma ‘exceção’, permitido a ordenação de homens casados ao sacerdócio, assim como já ocorre com o diaconato permanente.

Essa proposta está fundamentada nas compreensões do Bispo emérito Fritz Lobinger e está sendo propagada aos quatro cantos do mundo e da igreja por Dom Claudio Hummes e Dom Erwin Krautler, dois reconhecidos bispos progressistas (para não dizer comunistas e celerados) como navio quebra-gelo para uma completa revolução na compreensão ministerial e da moralidade. Porquê digo isso? Pois a tese de Lobinger é utilitarista e pragmática, na prática criaria um presbítero ‘estepe’, de segunda classe. Não há fundamentação teológica nela (apesar de haver na disciplina que é vigente no rito oriental), a fundamentação dela é sociológica, a idéia é atender ‘as carências das comunidades e paróquias sem assistência’. Ora, esta pode ser uma desculpe conivente e usual também para atendermos comunidades de homossexuais, logo ordenemos padres abertamente homossexuais! – vocês entendem o jogo insano de mentalidade?

Ah, mas isso é teoria da conspiração! Só um ignorante ou um ingênuo pateta acha que não é um cavalo de Tróia. Lembre-se que a Igreja Católica está em plena crise e que setores como o lobby gay/máfia da lavanda (vocês se lembram do Pe. Krysztof Charamsa?) estão abertamente forçando a barra para mudar e deformar a Igreja.


Marido, Pai e Sacerdote
Como já afirmei, eu sou a favor da ordenação sacerdotal de homens casados, mas sou contra a proposta dos ‘Viri Probati’. Penso com sinceridade que podem ser benção para a vida da Igreja Católica. Cito o caso do Rev. Pe. Wissam Akiki, sacerdote católico maronita, e um diácono permanente muito atuante (que deveria ser padre), Rev. Dr. Julio Bendinelli, fora os muitos padres casados dos ordinariatos anglicanos e do rito oriental. Acho sim que é possível, só não pode ser de qualquer jeito e na mão de progressistas/vermelhos.

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